25 Janeiro 2012

the creative voices experience n. 2


esse é o resultado dos dois dias de workshop com o grupo Soundcastle. compusemos coletivamente uma peça em 4 movimentos, e apresentamos no sábado, no encerramento das atividades da semana de intercâmbio musical.

o processo teve início com algumas dinâmicas de grupo - um cânone que aprendemos no primeiro encontro, algumas rodas de improvisação (notas longas, pequenos motivos, regências) para que cada um pudesse acessar sua música e ver como ela se manifestava no grupo, para que o grupo se conhecesse musicalmente.

na sequência começamos com o trabalho sobre a composição. a primeira sugestão foi montarmos 4 acordes. isso foi feito da seguinte forma: cada pessoa tocava uma nota em seu instrumento, essa nota poderia ser alterada até que cada um sentisse confortável com a escolha. em seguida, os acordes anotados foram tocados na marimba, pela Jenni, para que o grupo pudesse ficar com sua sonoridade.

enfim, o grupo foi dividido em três - uma parte ficou encarregada de criar uma melodia sobre os acordes, outra de trabalhar ritmos e grooves e outra de criar algo contrastante com a sonoridade dos acordes. nesse procedimento, a idéia principal era não analisar segundo os princípios da música européia ocidental, mas deixar a percepção atuar e permitir que idéias musicais surgissem.

de fato, é bastante difícil não utilizar o pensamento, e se desvincular de muitos anos de estudo de música de maneira mental e analítica. mas não é impossível. e o mais curioso, no momento em que o grupo consegue se desvincular do pensamento, a música de fato acontece. e acontece acessando esse repertório adquirido, estudado, tocado e cantado, seja ele ocidental, oriental, individual, não importa. da mesma maneira que não é necessário pensar sobre, também não é necessário bloquear o pensamento - não se trata de desconstruir a música mas sim de acessá-la pela via da percepção, da escuta, da fruição. isso conferiu uma organicidade incomum a um grupo que não exatamente se conhecia.

na conclusão do primeiro dia, cada grupo mostrou o que havia desenvolvido, e fomos embora.

no segundo encontro, o Soundcastle trouxe algumas propostas para engatar as partes criadas no dia anterior - se houvesse mais tempo, esse engate seria desenvolvido coletivamente (que foi o que aconteceu no período da manhã, coma turma que realizou 5 encontros). o grupo foi novamente separado para trabalhar sobre cada parte, e ao final do dia as partes foram aprendidas por todos e finalmente a composição aconteceu.

tocamos cada parte para desenvolver algumas outras idéias no grupo e depois fizemos a música completa, duas vezes.

no encontro de sábado, a apresentação, a sensação coletiva em relação à peça criada era a mesma - como se ela existisse há tempos, como se ela não fosse propriedade de ninguém, como se fosse exclusiva e autoral, como se fosse minha, como se fosse uma música de tempos imemoriais, um folclore. um pouco confuso, talvez, mas era isso mesmo - a música fluía, sem precisar da escrita, do código gráfico, cada um assumiu sua parte no conjunto, envolvido com a sonoridade, com um som coletivo.

o video fala por si.

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