22 Novembro 2011

minha canção

minha canção adormeceu há algum tempo, está num retiro, num repouso
os anos se passam e ela dorme, alheia a mim, a tudo o que ouço, estudo e investigo
durma bem, minha canção, pois logo alguém te despertará, alguém que não sei, que nem conheço bem, que nem sabe de você tampouco, vai aí, com seu focinho investigativo cheirar teus pés, teu nariz, tua orelha, vai te assustar e você vai despertar
desperta não saberá ao certo o que fazer, afinal, tanto tempo se passou não é?
o mundo, minha canção, aquele mundaréu a que nos referíamos há alguns anos, já não é mais o mesmo, muita água rolou sob nosso portão, canela bateu, perna ralou, enquanto você dormia, você dormia...
e agora, o que dizer? o que cantar, que voz é mesmo a sua voz de autoral canção?
cambaleia, canção, nessa voz que aos posucos te escuta e te reconhece, deixa a melodia saborear seu hálito, seu hábito, habitat. cambaleia bêbada desse sono, morfeu te inebriou, minha canção. e essa voz te saboreia embriagada, embargada, desses anos de saudade, quando velou teu sono pesado, tão pesado
vai, minha canção, vai nessa voz véu veldada viúva de você e de mim

dia 24/11/2011, no CLUBE CEM - Bar da Meirinha, o despertar da minha canção
a partir de 22h, homenagem a 6 compositores paulistanos vivos, eu entre eles
com a participação de josé vieira ao piano

2 comentários:

gabriel disse...

Que as canções sejam mais fortes que Morfeu.
Gosto muito do seu trabalho, espero ansiosamente por uma vinda sua a Belo Horizonte.
Ou por um show em Sampa enquanto em alguma das minhas passagens por aí.
Onde consigo acompanhar sua agenda?
Abraços!

. disse...

oi gabriel! obrigada pelo seu comentário! você pode acompanhar aqui pelo blog ou pelo Facebook, tenho uma página lá também - que morfeu adormeça mesmo! abraços