no mundaréu
para saber quem eu sou
leia meu diário
leia todo dia
tela a tela, linha a linha
e saiba quem eu sou
leia-me diário
leia meio dia
leia itinerário
então saiba quem eu sou
leia meu diário
leia logo - leia
leia, leia, leia
meu diário - leia-me
e lendo-me lembre-se
sou eu largando meu verbo
ligando meus nervos
veia a veia
teia a teia
venha
leia
meu retrato
27 Fevereiro 2012
sangue mestiço ao vivo na meirinha - ou, do silencio
sangue mestiço ao vivo na meirinha
isso foi no final do ano passado, minha primeira incursão pelo meu trabalho autoral após anos sem canta-lo. gerou um post em que procuro por minha canção - está aqui no blog - e do meu silêncio fez-se minha voz e da minha voz fez-se o seu silêncio... eu não me lembrava o quanto o bar silenciou... é bonito ouvir isso, as pessoas com seus silêncios.
digo isso, porque era o mais inesperado o silêncio, da forma como foi - oras, um bar em que tradicionalmente se vai para ouvir um samba, dançar e conversar, o ruído é parte integrante do ambiente, chega a ser natural e pertencer ao som da casa - pessoas alegres, cantando junto, participando. eu temia pelo som, porque não tinha muitos sambas na cartola (do cartola sim, mas não meus) e escolhi canções lentas, densas, enfim... será que iria dar certo isso?
ao que zé vieira me falou, antes de subirmos ao palco: "rita, a gente sobe, faz um minuto de silêncio e aí começa a cantar, e tudo vai dar certo" mágico, sábio, como ele pode adivinhar?
claro que na meirinha as pessoas também vão para escutar boa música, e nessa noite em especial, tinha muita gente sensível, aberta e atenta na platéia, disponível para viver o que tínhamos a propor.
coisas assim não acontecem todo dia.
14 Fevereiro 2012
...ribeirão...
meu olhar mergulhou
pra dentro do teu olhar e olhou
como o míssil olha apaixonado para o alvo
como a bola antevê o gol
como a pólvora olha pro fogo, explosão
e a sede diante de um ribeirão
e viu beleza
na tua natureza
no trabalho, nobreza
amor
pra dentro do teu olhar e olhou
como o míssil olha apaixonado para o alvo
como a bola antevê o gol
como a pólvora olha pro fogo, explosão
e a sede diante de um ribeirão
e viu beleza
na tua natureza
no trabalho, nobreza
amor
13 Fevereiro 2012
vozeiral - vem cantar
Estamos montando um grupo vocal no Canto do Brasil para cantar o fim do mundo, pois parece que dessa vez é garantido que ele vai se acabar!
Em vez de beijar na boca de quem não devia, pegar na mão de quem não conhecia e dançar um samba em traje de maiô, como disse Assis Valente, por que não se juntar a outras pessoas para cantar?
A proposta desse trabalho é reunir pessoas que já possuam alguma relação com a música e com o canto, para trabalhar sobre um repertório temático-emblemático: o fim do mundo!
O processo envolve leitura de arranjos, improvisações e criações coletivas.
Os ensaios terão início em 03 de março e acontecerão aos sábados, das 11h às 13h
mais informações no site da escola
12 Fevereiro 2012
taxista transcendental
táxi em dia de chuva é algo que não existe. em noite de temporal então, o que dizer... depois de um tempo telefonando para companhias de rádio táxi comuns, desisti e fui arriscar a sorte na rua, já direcionando a mente para que o táxi não demorasse.
é o mesmo procedimento que faço com a nossa senhora da boa vaga, aquela que libera uma vaga para o carro que me conduz, em um bom lugar, e com um tamanho suficiente para minha destreza de manobrista (leia-se: pessoa que não tem carro e quando dirige dá show).
enfim, pedi pra nossa senhora do bom táxi que me enviasse um bom táxi, em pouco tempo, pois ameaçava nova pancada de chuva e o guarda-chuva não estava em meu poder. ela me atendeu prontamente, logo que alcancei a avenida, o farol fechado e o bom táxi aceso, indicando que estava livre, encostou ao meu sinal e eu entrei.
não pude deixar de reparar na trilha sonora do veículo - que não era kiss fm, nem alpha fm, nem aquela rádio que eu não sei o nome mas que só toca sertanejo pop. o moço ouvia enya. pois então - logo eu disse "puxa que sorte, porque táxi em noite de chuva é algo que não existe". ao que ele respondeu que mais sorte ainda, por eu não ter pego um taxista estressado da chuva e do caos urbano e que ainda por cima ouve enya...
sim, papo foi, papo voltou, ele é instrutor de vôo livre em natal - rn e está trabalhando de taxista pra juntar uma grana e voar de natal a fortaleza. nesse trabalho de instrutor, perdeu dois dedos e 3 falanges e isso mudou sua vida, e aí a conversa foi pra um lugar muito incrível, sobre a forma como nós interpretamos as coisas que vemos, se as levamos para um lado ou para outro da nossa percepção ela pode alterar a realidade, e isso já passava de 1h da manhã quando entrei no táxi. nada do que dissemos era muita novidade para ele ou para mim, mas foi fundamental para o trajeto que fizemos.
fica aquela mesma sensação de que é possível não viver nesse mundo no âmbito do ter, e sim do ser. é possível humanizar a convivência numa cidade castigada pelo excesso de urbanidade, transbordada de concreto e tráfego. que nós somos nossa forma de viver no mundo. que precisamos estar muito dentro de nós mesmos, sabendo o que queremos, e viver com isso de forma aberta, sem pensar que o mais importante é o dinheiro. entre mil outras coisas, tudo isso passou pela conversa, que fez os 10 minutos de trajeto parecerem uma vida inteira, e eu era só mais uma passageira daquele sábio taxista.
obrigada!
é o mesmo procedimento que faço com a nossa senhora da boa vaga, aquela que libera uma vaga para o carro que me conduz, em um bom lugar, e com um tamanho suficiente para minha destreza de manobrista (leia-se: pessoa que não tem carro e quando dirige dá show).
enfim, pedi pra nossa senhora do bom táxi que me enviasse um bom táxi, em pouco tempo, pois ameaçava nova pancada de chuva e o guarda-chuva não estava em meu poder. ela me atendeu prontamente, logo que alcancei a avenida, o farol fechado e o bom táxi aceso, indicando que estava livre, encostou ao meu sinal e eu entrei.
não pude deixar de reparar na trilha sonora do veículo - que não era kiss fm, nem alpha fm, nem aquela rádio que eu não sei o nome mas que só toca sertanejo pop. o moço ouvia enya. pois então - logo eu disse "puxa que sorte, porque táxi em noite de chuva é algo que não existe". ao que ele respondeu que mais sorte ainda, por eu não ter pego um taxista estressado da chuva e do caos urbano e que ainda por cima ouve enya...
sim, papo foi, papo voltou, ele é instrutor de vôo livre em natal - rn e está trabalhando de taxista pra juntar uma grana e voar de natal a fortaleza. nesse trabalho de instrutor, perdeu dois dedos e 3 falanges e isso mudou sua vida, e aí a conversa foi pra um lugar muito incrível, sobre a forma como nós interpretamos as coisas que vemos, se as levamos para um lado ou para outro da nossa percepção ela pode alterar a realidade, e isso já passava de 1h da manhã quando entrei no táxi. nada do que dissemos era muita novidade para ele ou para mim, mas foi fundamental para o trajeto que fizemos.
fica aquela mesma sensação de que é possível não viver nesse mundo no âmbito do ter, e sim do ser. é possível humanizar a convivência numa cidade castigada pelo excesso de urbanidade, transbordada de concreto e tráfego. que nós somos nossa forma de viver no mundo. que precisamos estar muito dentro de nós mesmos, sabendo o que queremos, e viver com isso de forma aberta, sem pensar que o mais importante é o dinheiro. entre mil outras coisas, tudo isso passou pela conversa, que fez os 10 minutos de trajeto parecerem uma vida inteira, e eu era só mais uma passageira daquele sábio taxista.
obrigada!
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